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CÁRIE
(Angela Bretas)
Lá bem dentro da boca,
há um bichinho danado.
Constrói cavernas ocas,
e não se faz de rogado.
É um bichinho furão,
que fura tudo que vê.
Escorrega e é fujão,
gosta de chocolates, pavê!
Quando fica sossegado,
no meio da comilança,
ele aproveita o bocado,
e faz a sua festança!
Gosta de inventar moda,
destrói dentes branquinhos.
Machuca e incomoda,
as bocas dos meninos.
Brinca de esconde-esconde.
Vive no meio dos dentes.
Não é difícil saber onde,
ele se esconde da gente
Seu maior inimigo,
se chama pasta-de-dentes.
Este é seu maior perigo,
que ele é temente.
Portanto muita atenção,
não deixe este bichinho,
fazer de sua boca um salão,
cheia de buraquinhos.
Escove diariamente os dentes,
com força e a vontade.
Assim destruirá o valente,
e terá dentes fortes de verdade!
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COME, COME, COME TUDO!
(Angela Bretas)
Na horta
do seu Zequinha
Tem verdura bem fresquinha
Ele acorda bem cedinho
E rega tudo...tudinho
A cebolinha é viçosa
Magrinha e orgulhosa
A salsinha com seus cabelos de renda
É a rainha da fazenda
A couve é de um verde bem forte
E o pepino tem um bom porte
O tomate vermelho que só
Faz sombra ao ardido jiló
É só o matinho aparecer
Que seu Zéquinha põe prá correr
Quando a terra tá cansada
Ele a deixa esburacada
Aduba a terra com estrume
E planta como de costume
Sabe que seu trabalho diário
É o seu melhor salário
Apesar da sua lida dura
De tanto plantar verdura
Ele vive muito bem
Comendo como ninguém
Ele come, come, come tudo
É um homem sortudo
Por isso, meus amiguinhos
Que estão lendo estes versinhos
Quando encontrar um espinafre
Não faça careta... é gafe!
Coma sempre salada
Que de ruim, não tem nada
As folhas bem tenrinhas
São deliciosas fresquinhas
Uma alimentação saudável
É algo admirável
Fará você crescer fortão
Igual o pimentão!
Come, come, come tudo!
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A FORMIGUINHA...
(Angela Bretas)
A formiguinha coitadinha
cansada de trabalhar
carregava sua folhinha
só pensava em descansar...
Ao chegar no formigueiro
encontrou um tremendo bafafá
suas irmãzinhas temiam
o traiçoeiro tamanduá...
A formiguinha correu ligeiro
e a folhinha carregou
achou um novo formigueiro
onde a depositou...
Era um formigueiro protegido
perto de um rio corrente
o tamanduá temido
ali não seria valente...
Penou o dia inteiro
e resolveu descansar
com um doce açucareiro
pôs-se a sonhar!
Sua vida trabalhosa
era dura e azêda
sonhava com os doces da roça
na casa da Dona Lêda...
Lá entre potes de goiabada
viveu anos esquecida
até ser expulsa, coitada,
culpa do inseticida !
Lambuzou-se com o mel
de sonhos açucarados
acordou e olhou ao léu
lembrando do pesado...
Lá se foi a formiguinha
para mais uma batalha
mesmo pequenininha
diariamente trabalha...
Sua vida é assim
e esperta ela olha
procurando entre capins
encontrar suas folhas...
Quando chegar o frio
Ela terá sua comida
e perto do leito rio
estará protegida...
A forminguinha sabe
que o inverno não custa a tardar
e de seu trabalho eterno
irá se beneficiar !
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