Basquete

Imagine que você está naquele momento tenso. É final de jogo e espera o arremesso fantástico do seu ídolo,  aquele que trará o título para casa.   A cada acerto acelera o coração e faz você querer ser como ele.
Quem nunca passou por uma experiência dessas?

Hoje o convidado para conversar com a turma do site Pequeno Artista e contar sua experiência no basquete é o
Bruno Saviano. 
Bruno é ex-jogador de basquete e professor de Educação Física. Acumulou diversos títulos de campeão brasileiro e mostrou que talento e garra fazem diferença. 
 
Fuinha -  Bruno, com quantos anos você descobriu que queria treinar para ser um atleta?
 

Bruno - Minha história no esporte começou muito cedo. Pratiquei natação dos 3 aos 6 anos de idade, serviu bastante como aprendizado e  introdução ao esporte, mas realmente não era muito a minha praia.
Quando tinha sete anos, meu pai me levou ao Maracanãzinho para ver a apresentação dos Harlem  Globetrotters.  Era um time de basquete que fazia apresentações quase circenses com a bola dentro de uma quadra simulando um  jogo.  Eu fiquei encantado com aquele time, com as jogadas, os jogadores e quando acabou o jogo eu virei pro meu pai e disse:  pai eu quero jogar basquete!

Meu pai, como sempre foi o meu apoiador,  matriculou-me  na escolinha de basquete do Flamengo e fiquei dos 7 aos 9 anos. Ali começou a minha carreira.
Com 9 anos, entrei para o pré-mirim do Flamengo e fui até a idade adulta.  Joguei 14 anos  no Flamengo e foi um privilégio muito grande estar na maior escola de esportes amadores do Rio de Janeiro.  Em determinando momento da minha carreira, com 15 para 16 anos, eu já jogava em três categorias diferentes:  infanto-juvenil, no juvenil e, no adulto eu já sentava no banco de reserva.  Eu dizia que nunca via um pôr do sol porque eu estava sempre dentro de uma quadra. E por eu gostar muito daquele ambiente, acabava o treino e eu continuava dentro da quadra.


Fuinha - Que maneiro! Escurecia e você ainda estava na quadra. E você tinha a idade do Pedro. Uau!
Qual o título que mais mexeu com o seu coração? E quais os outros títulos que conquistou?


Bruno  - Foi um título infantil brasileiro do Flamengo. Foi o Interclubes Nacional, disputado em Brasília.  Eu tinha  14  para 15 anos. Este título me marcou.
Depois vieram inúmeros títulos cariocas.  Por causa do basquete, eu acabei ganhando bolsa de estudos para poder compor o time das escolas que eu participei.  Fui  campeão dos jogos Universitários Nacionais. Fui campeão também do Intercolegial, enfim, foi uma carreira bem legal. Graças ao basquete eu viajei muito pelo país, joguei em Belém, São Paulo, Brasília e no Sul. Através do basquete eu conheci muito o país e também outras culturas.

Quando a gente fala de esportes associa a títulos e a carreira, mas na verdade isso é um detalhe diante da grandeza daquilo que o esporte pode proporcionar.  Bem mais do que ganhar títulos e se tornar um profissional, está a importância da formação do caráter, o respeito as regras, o companheirismo, o respeito a seu adversário e a questão do profissionalismo que você aprende muito cedo.
Por mais que você não tenha afinidade  com todos os que estão ali no time, sabe que na hora da quadra você terá que passar a bola para alcançar o seu objetivo. Então isso vai te tornando um cidadão.  Além disso, através do esporte, cada jogador se vê como uma pessoa importante no mundo, é inclusivo.


Fuinha -  Bruno, falando nisso, sei que você participa de um projeto social que incentiva o esporte  e que tem ajudado crianças carentes no Pavão Pavãozinho, no Rio de Janeiro. Pode nos contar como funciona este trabalho para que mais pessoas possam se inspirar no seu exemplo de atleta de grande coração?

Bruno -  Eu procurei retribuir tudo o que eu recebi da vida, principalmente através do esporte. Um dia, me deparei com a instituição Solar Meninos de Luz. Uma escola que atende 400 crianças carentes no morro do Pavão Pavãozinho e Cantagalo. Além da educação convencional, que é muito boa, atende as crianças em tempo integral, dão ênfase na parte esportiva,  nas artes e também na música.
O meu trabalho junto ao Solar Meninos de Luz é feito com muito amor, carinho e dedicação. A gente tem uma escolinha aos sábados de manhã para crianças carentes. São crianças que não têm nem um tênis para jogar e nem uma bola. É recompensador estar com eles ali mostrando o valor do esporte.


Fuinha - Galera vamos ajudar! Para se tornar um "padrinho do coração" é só acessar o site http://www.meninosdeluz.org.br/
E  para finalizar, queria saber o que você acha necessário para quem quer começar no basquete com a nossa idade?


Bruno - Dedicação. O esporte amador nesse país é carente de patrocínio e se você não tiver muito amor e dedicação pelo que você faz vai desistir no meio do caminho.


Fuinha- Sem amor e dedicação não se conquista o que quer. Muito boa dica!

Obrigado Bruno!

Foto - arquivo Bruno Saviano

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