Bodyboard  mae e filha na mesma onda  

com Neymara Carvalho e Luna

Quando a gente começa a conversar com Neymara e Luna é impossível não pensar que ali está o DNA de campeãs! Mãe e filha, duas gerações tirando onda e mostrando que as meninas vieram com tudo e, em dose dupla, para competir no mar.

Neymara Carvalho é pentacampeã mundial de bodyboard e Luna também começa a acumular títulos de campeã no esporte. São duas inspirações para a galerinha que ama o mar e quer aprender a surfar. Acompanhe a entrevista e não deixe de escutar as mensagens das meninas.

 

Pedro - Neymara, conta pra gente como foi os seu início no bodyboard. Com quantos anos começou e quem lhe influenciou nessa época?

Neymara - Meu pais se mudaram para um vilarejo chamado Barra do Jucu, um bairro de Vila Velha. Lá não tem prédio, as crianças brincam na praia e no rio, era o nosso lugar de brincar. Lá pelos 12, 13 anos eu descobri as ondas através do meu irmão que é dois anos mais velho do que eu e se interessou pelo surf. Na época, tinha um boom grande das irmãs Nogueira no Brasil e houve um campeonato brasileiro nas Barras do Jacu. Eu assisti as meninas no mar, gostei e falei "esse esporte eu quero fazer". Eu venho de uma família muito simples, não tinha condições financeiras, mas aos poucos a gente foi tendo amigos, parceiros, consegui o equipamento e comecei a praticar.


Pedro - Legal! E  qual a competição que mais lhe trouxe emoção?

Neymara - Acho que, de todos os cinco campeonatos, o mais emocionante foi o que ocorreu após o nascimento da Luna em 2007. Ela nasceu em dezembro de 2005 e já em fevereiro de 2006 eu comecei a competir. Viajei com ela com dois meses de vida. Já competindo, já ganhando etapa do mundial, carreguei a Luna para tudo quanto era lugar. Foi uma grande emoção porque havia uma dúvida dentro de mim se eu voltaria a competir em alto nível, até mesmo se eu voltaria a competir. O exemplo que eu via das outras campeãs é que elas pararam após a maternidade e isso acaba influenciando muito os pensamentos, mas é a minha profissão, eu amo o que eu faço e então voltei com tudo. Falando sobre o pentacampeonato no geral, a cada ano, eu traço um objetivo e, neste ano, mais uma vez eu, quero tentar o hexacampeonato. Eu nunca sonhei em ser recordista do jeito que eu me tornei, mas aos poucos você vai criando essas metas e vai conquistando. 

Ricardo Bocão -  Luna, conta pra gente um pouco sobre você. Quantos anos você tem agora, quando foi que aprendeu a surfar e como surgiu a vontade de competir? Ah, e como você faz para estudar e estar nos treinos para os campeonatos?

Luna - Eu agora tenho 11 anos e desde pequenininha minha mãe me colocava na água. Eu só fui me interessar em surfar com 8 anos quando vi a minha mãe ganhando campeonatos e ela me levava para as viagens e era muito legal.
A minha vontade de competir surgiu no primeiro campeonatinho da minha categoria. Sobre a minha rotina de treinos é o seguinte: eu não treino muito durante a semana porque fica complicado, eu tenho que estudar muito e, além disso, eu estudo a tarde. Meu treino é nos fins de semana e na semana dos campeonatos.

 

Ricardo Bocão - Luna, você foi a vencedora do Estadual neste mês, que máximo! Parabéns! O mar estava muito grande?

Luna - Obrigada pelos Parabéns! Eu venci sim uma etapa do Estadual e fiquei muito feliz porque foi na mesma praia que eu ganhei o Estadual do ano passado, na Barra de Jacu. O mar estava gigante e, por esse motivo, levaram a gente para a Barrinha onde o mar estava um pouquinho menor. Eu me sinto muito feliz em conquistar esse título agora com a minha idade.

Ricardo Bocão - Luna, quais as etapas que você já disputou, qual a sua manobra predileta e qual a mais difícil que você acha?

Luna - Já disputei quatro etapas. Uma em Guarapari, outra na Barra, outra no Pompéia e essa última na Barra também. A experiência eu nem sei como falar ... é muito emocionante! É muita adrenalina, é muito legal! A minha manobra predileta é o 360 e a mais difícil que eu estou aprendendo agora é o rolo. O meu grande sonho é ser atriz e estou correndo atrás disso fazendo teatro e já fiz algumas peças também.

Pedro - Neymara, Você foi a grande vencedora em Antofagasta, no Chile e lidera o Mundial de bodyboard. Isso foi o máximo! Como foi esta preparação?

Neymara -  Vencer depois de alguns anos uma etapa de um mundial foi muito gratificante. Eu treinei bastante, me preparei fisicamente, nutricionalmente e até mentalmente. Desde a temperatura da água, eu fazia uma mentalização que estava tudo bem, mesmo eu trincando de gelada, pensava:  " vambora, este é o momento, são 25 minutos, são 30 minutos!"  Fui realmente com o pensamento de vitória e foi perfeito. Na verdade, nem tão perfeito, porque eu perdi de cara na primeira bateria e, como no mundial a gente tem repescagem, tive uma chance e fui crescendo ao longo do evento. Isso acontece! Às vezes, você arrebenta nas primeiras baterias e vai caindo o rendimento no final, mas comigo aconteceu o contrário. Eu comecei mal e fui bem até vencer. Estou focando nas próximas etapas onde estarei em  Sintra, Madeira e Nazaré provavelmente. Estou controlando a ansiedade desde já. Acredito na minha bagagem e quero trazer mais um título. 
 

Pedro -  Com certeza vai trazer, Neymara!  Conte pra gente um pouco sobre como funciona o Instituto Neymara? 

Neymara -  O Instituto leva o meu nome e nós oferecemos aulas gratuitas de bodyboard. Na real, bodyboard é o chamariz para a criança que está na ociosidade sem escolher um esporte e sem uma atividade. A gente acolhe essa criança, mostra o que é o esporte e as noções básicas, mas, além disso, a gente dá muito carinho, amor e tenta entender a cabecinha das crianças e adolescentes. Temos voluntários da psicologia e voluntários que adotam algumas crianças e dão roupas, tentam ajudar com materiais esportivos. Hoje,no Instituto, temos dois parceiros que são a Kpaloa e a Gênesis que fornecem as pranchas e pés de pato, mas a gente ainda precisa de apoio. A minha vontade é dar mais para essas crianças e para as famílias dessas crianças. A gente atua dentro de uma região que se chama 5ª Região de Vila Velha e talvez seja a maior favela do Espírito Santo. Ali muitas crianças estão perdidas na rua e podem ser facilmente capturadas por coisas ruins, então, a gente tenta seduzir pro lado bom. E o meu grande prazer, quando estou dando aula, é ver que a criança está querendo sugar tudo o que eu possa ensinar como cidadã, aquilo que o esporte transformou na minha vida. Eu tento passar para eles que o mundo parece ser grande, mas, à medida que você vai crescendo e vai querendo conquistá-lo, ele também é pequeno. Tudo depende do seu sonho e do seu objetivo e a gente faz com que eles tenham um objetivo na vida. Não precisam ser campeões mundiais como eu fui, mas que eles fiquem no caminho do bem. É o objetivo principal. Pra mim é como se eu estivesse dando de volta o que o esporte deu na minha vida.  

Pedro - E para finalizar gostaria que você deixasse um alô para a galera do site Pequeno Artista, pode ser?

 



 

 

 

Neymara - Sim. A minha mensagem final vai para vocês que estão vendo a nossa trajetória, minha e da minha filha. Eu tenho muito amor por esse esporte. Eu gosto, eu me divirto, eu adoro pegar onda. Então, acho que essa paixão é que me transformou na profissional que eu sou. Acho que se vocês pequenininhos, adolescentes descobrirem nesse momento da vida de vocês que têm uma paixão muito grande por um esporte, até por vários esportes, vão fundo! Testem sua habilidade, seu talento, procurem ouvir pessoas mais velhas que entendam mais do esporte, porque elas vão encurtar esse aprendizado. Procurem perto de suas casas uma escolinha ou um atleta particular que dê aula. Senão, vai pra dentro d´água, se esforce, veja muitos vídeos de atletas consagrados ensinando posicionamento e manobras básicas. E se divirtam! A diversão tem que estar dentro de vocês o tempo todo, porque isso gera um amor pelo esporte e, consequentemente, gera comprometimento e profissionalismo.  

Foto arquivo Neymara Carvalho
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