Arte Figureira

Vitalino Pereira dos Santos, conhecido apenas como Mestre Vitalino, foi um dos notáveis artistas de cerâmica figureira popular do Brasil. Nascido na cidade pernambucana de Caruaru, em 1909, filho de pai agricultor e mãe artesã de cerâmica utilitária (panelas de barro), tornou-se famoso por sua arte de fazer bonecos.


Ainda pequeno, com as sobras do barro que sua mãe, lhe dava, Vitalino ia fazendo boizinhos, jegues, bonecos e pratinhos, para se divertir. Semanalmente, seus pais iam à feira de Caruaru vender os produtos de seus trabalhos. E o menino Vitalino?

 

Ele levava o produto de sua brincadeira e também vendia. Vitalino ia criando seu estilo, suas figuras. Quase sempre sua arte se baseava motivos nordestinos ao seu redor. O material usado na confecção dos bonecos: paus grossos e finos, lâminas de metal e penas. O barro das figurinhas era tirado do rio Ipojuca. Um dia, fez para uma peça, três onças no pé de pau, um cachorrinho acuando-as e um caçador para fazer fogo. Essa montagem constituiu um dos grupos de maior procura.

Após 20 anos de idade, foi que experimentou passar das figuras de animais para as dos homens de fisionomia deformada. Foi por ocasião de um incidente ocorrido na Paraíba. Caruaru estava cheio de soldados que andavam de baixo para cima com cartucheiras e rifles. Impressionado, Vitalino botou a mão no barro, fez os grupos de soldados e trouxe-os à feira para vender. A aceitação foi imediata.

Só mais tarde chegaram os cangaceiros, os retirantes, os padres, os vaqueiros, velhos, dançarinas, crianças e negros. As peças que mais lhe agradava fazer eram a casa da farinha, a procissão, o brinquedo de roda, o batizado, a vaquejada, médicos operando, todas elas, com figuras humanas.

Essa foi a grande fase do mestre Vitalino, cuja obra tornou-se uma significativa mensagem de amor à vida nordestina. Por ser analfabeto, carimbava suas peças, só depois aprendeu a autenticá-las com seu nome. Viveu e morreu dando um exemplo de uma vida modesta.

Texto adaptado de: “Brasil-Histórias, Costumes e Lendas”; “Didática do Folclore”, de Corina Maria Peixoto Ruiz.


Texto enviado pela professora Regina Jorge

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